BRASIL-MUNDO - Doutores palhaços brasileiros “prescrevem” alegria a crianças internadas em hospitais de Portugal

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Eles são "doutores" brasileiros com especialização em uma área muito curiosa: palhaçadas. E por meio do riso transformam a realidade de crianças internadas em hospitais em Portugal. Mesmo os tempos de pandemia não intimidaram a "equipe médica" da Operação Nariz Vermelho, que soube reinventar sua forma de "prescrever alegria" aos seus pequenos pacientes. Por Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa Quando os hospitais suspenderam as visitas, em março do ano passado, devido à pandemia de Covid-19, a eles só precisaram de duas semanas para montar a primeira estratégia a fim de manter o vínculo com as crianças, suas famílias e os profissionais de saúde. Criada em 2002 pela brasileira Beatriz Quintella, a Operação Nariz Vermelho é uma instituição sem fins lucrativos. Antes da pandemia, costumava levar para cada pediatria de 17 hospitais públicos portugueses uma dupla de doutores palhaços, conhecidos por garantir uma experiência de internação diferente, com brincadeiras, músicas e muitos sorrisos. Cada dupla de artistas profissionais era responsável por visitar o mesmo serviço pediátrico duas vezes por semana. Quando a crise sanitária obrigou os hospitais a fecharem as portas às visitas, a entidade criou um canal no YouTube, a que chamou de “TV ONV”. Durante seis meses, os 26 doutores palhaços produziram mais de 330 episódios para o canal, conta o paulistano Fernando Escrich, diretor artístico do grupo, que escolheu ser doutor palhaço de hospital há cerca de 26 anos. Ele é um dos cinco brasileiros no elenco de artistas profissionais da Operação Nariz Vermelho. Uma sexta brasileira da equipe trabalha na Coordenação de Relação Hospitalar. “Nós somos um grupo muito unido artisticamente, e acho que por isso demos uma resposta muito rápida para que o trabalho não se perdesse, não se afastasse das crianças e das equipes dos hospitais”, ressalta Escrich. Os doutores palhaços produziam os vídeos com os próprios celulares, “nas suas casas, mostrando mesmo a sua realidade ali, sem negar que estávamos em isolamento, num momento de pandemia”, ele acrescenta. Os artistas procuravam explorar cada canto da casa: quarto, sala, cozinha, banheiro. Tudo virou cenário. Os vídeos incluiam músicas, mímicas, receitas, inúmeras brincadeiras e muito bom humor. Algumas gravações externas completavam o repertório. “Nós colocávamos dois episódios por dia no canal TV ONV, cada um com três minutos de duração”, conta o diretor artístico. Com isso, mesmo crianças que não estavam em contexto hospitalar, mas encontravam-se em isolamento com suas famílias, também puderam ter acesso aos vídeos, já que todos estavam disponíveis no YouTube. E mais: descobrir que “o palhaço também poderia existir dentro de uma tela foi a grande surpresa pra nós todos”, revela Fernando Escrich. Palhaços na linha Apesar dos resultados positivos revelados pela TV ONV, a Operação Nariz Vermelho quis avançar para um modelo que garantisse interação com as crianças. E o grupo criaria, no mês de setembro, o projeto “Palhaços na linha”, uma forma bem-humorada de prescrever alegria graças às consultas virtuais cheias de brincadeiras. Para os doutores palhaços conseguirem levar o projeto às pediatrias por meio das videochamadas, tem sido imprescindível o apoio dos profissionais de saúde de cada hospital. São eles que asseguram que um tablet ou um celular esteja preso num suporte de soro com rodinhas e seja colocado perto de cada criança. “Nós pudemos dar um passo a frente - encontrar, realmente, as crianças em tempo real, e não só. Os palhaços também podem ‘andar’ no suporte de soro encontrando as equipes [dos hospitais] também. Então, nós podemos voltar a ter a relação com os médicos, com as enfermeiras”, observa Fernado Escrich. Ele acredita que o projeto é um recurso que deve ser mantido independentemente da pandemia, pois “é uma possibilidade de estarmos em lugares onde o [nosso] trabalho ainda não alcança”. Aos poucos, o retorno aos hospitais Aos poucos, os hospitais têm autorizado o retorno presencial dos doutores palhaços. As primeiras portas foram reabertas em setembro do ano passado. Eles entram com poucos objetos, menos instrumentos, mantendo sempre o distanciamento físico e a máscara cirúrgica. “Mas por cima dela [da máscara cirúrgica], nós colocamos a "máscara vermelha", que é o nariz do palhaço, e só esse código já estabelece a brincadeira”, explica Escrich. E por falar em máscara, a artista, pesquisadora e doutora palhaça Joana Egypto salienta que o sorriso permanece porque “os nossos olhos passaram a sorrir também”. Ela diz que “apesar da nossa meia face coberta com a máscara, o sorriso, sim, continua possível”. Natural de São Luiz do Paraitinga, cidade do interior do Estado de São Paulo, Joana é conhecida entre as crianças como Dra. Xabregas. Ela juntou-se à Operação Nariz Vermelho há dois anos e meio, e faz parte do grupo de doutores palhaços que tem realizado as visitas presenciais adaptadas às mudanças impostas nestes tempos de pandemia. No começo do regresso gradativo do trabalho presencial, quando havia ainda mais restrições nos hospitais, os artistas não entravam nos quartos, mantinham-se no limite da porta, de onde interagiam e brincavam com cada criança. Na opinião de Joana, o grupo de doutores palhaços encarou os desafios “como forma de amadurecimento, de crescimento e de adaptação pra poder seguir com a nossa missão”. Ela reforça a necessidade de novos cuidados e posturas por parte do elenco, “mas sem achar que é impossível que o palhaço exista no hospital". "Acho que a gente tem mostrado que sim, que é possível”. O diretor artístico Fernando Escrich explica que, quando os doutores palhaços entram presencialmente num hospital, adotam todos os protocolos de segurança. “Temos que passar, sim, essa mensagem de que estamos tendo cuidado para entrar neste ambiente.” Dos 17 hospitais públicos portugueses onde a instituição trabalhava antes da pandemia, dez já deram sinal verde para a volta dos doutores palhaços. As crianças internadas nos outros sete continuam interagindo com os artistas por meio do projeto Palhaços na linha.

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