Brasil-Mundo - Brasileira que desenhou cenários do filme "Mank" concorre ao Oscar de Melhor Design de Produção

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A maior festa do cinema mundial, marcada para este domingo (25), tem como grande destaque o filme "Mank", que recebeu o maior número de indicações neste ano. O longa do premiado e badalado cineasta David Fincher concorre em dez categorias. Para levar o espectador para a década de 1930, o diretor teve, nos bastidores, a ajuda de uma brasileira. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles Daniela Medeiros desenhou cenários do filme e também concorre ao Oscar com a equipe na categoria de Melhor Design de Produção. A história de "Mank" acontece na velha Hollywood dos anos de 1930 e 40 e conta o processo de criação do roteiro de um dos longas mais conhecidos da sétima arte: "Cidadão Kane", filme de estreia de Orson Welles. A cenógrafa brasileira teve que estudar particularidades das construções da época para fazer os desenhos arquitetônicos. "O meu papel foi de criar, a partir de referências, de estudos e conversas com o diretor de arte, Don Burt, um espaço de acordo com as necessidades do roteiro e da cena", explica. "Os três principais cenários em que eu trabalhei foram: a sala de jantar, que têm festas muito chiques, outra sala de estar que tem um corredor bem longo todo maravilhoso e um no zoológico, onde tem uma das cenas em que Mank está caminhando no zoológico e também foi um dos meus sets", conta a cenógrafa. A equipe de arte de "Mank" era pequena, formada por dez profissionais. Daniela desenhou os sets em pouco mais de um mês e os cenários foram construídos em um galpão no centro de Los Angeles. "A gente teve que criar muito rápido esses espaços e com uma grande complexidade de detalhes. As paredes são praticamente esculpidas. A gente teve que fazer todo o detalhamento de cada cantinho, pois precisavam dos detalhes, de um desenho, de explicação para o pessoal da construção poder entender como eles tinham que montar aqueles cenários", explica. De fã para cenógrafa O diretor de "Mank", David Fincher, é um dos maiores cineastas de Hollywood da atualidade. Ele já foi indicado ao Oscar anteriormente por dirigir "O Curioso Caso de Benjamin Button" (2008) e "A Rede Social" (2010), e dentre as mais de 90 produções assinou as aclamadas pela crítica "Clube da Luta" (1995) e "Seven - Os 7 Crimes Capitais" (1999). "Ele é um gênio, é impressionante, sabe muito bem o que ele quer e é muito simpático também. Para mim, foi uma das pessoas famosas mais interessantes de conhecer porque sempre fui muito fã do trabalho dele. O "Clube da Luta" é um dos meus filmes favoritos e eu tinha muita vontade de trabalhar com Fincher", conta. "Foi uma das primeiras vezes que eu fiquei realmente nervosa em conhecer um diretor famoso, ele veio várias vezes no escritório e o diretor de arte discutia com a gente os sets, então tive a sorte de ter essa interação com ele", lembra Daniela. "Mank" e a equipe da Daniela já receberam no dia 10 de abril o prêmio do Sindicato dos Diretores de Arte na categoria de Melhor Filme de Época. No Oscar, concorrem também ao troféu de Melhor Design de Produção os filmes: "Meu pai", "A voz suprema do blues", "Relatos do Mundo" e "Tenet". Por conta da pandemia e por ainda não estar completamente vacinada, Daniela deve assistir à premiação em casa sozinha. Mas quem sabe, para aumentar a torcida e acalmar o coração, receberá amigos virtualmente, por videoconferência. De Curitiba para Hollywood Daniela se formou em Arquitetura e Urbanismo e Design de Mobiliário, em Curitiba, e lá também já fez um curso de cinema. Veio para Los Angeles, em 2013, para um mestrado no American Film Institute e os convites apareceram rápido. A primeira grande produção para a qual desenhou cenários foi "Thor: Ragnarok" (2017). Logo depois trabalhou em "Homem-Formiga e a Vespa" (2018), também da Marvel. Os próximos filmes a serem lançados que trazem os sets de Daniela são "Black Adam" - com Dwayne Johnson (The Rock) e Pierce Brosnan no elenco (previsto para 2022) - e a versão live-action do clássico "Pinóquio", com Tom Hanks, Cynthia Erivo e Joseph Gordon-Levitt, ainda sem data de lançamento. Ela também pretende um dia trabalhar com cinema brasileiro. "Quero muito trabalhar com diretores brasileiros. Gostaria de ficar um tempo no Brasil com a minha família. É algo que eu tenho realmente muita vontade. Tenho vários contatos no Brasil e aos poucos vou chamando atenção para o meu interesse em fazer projetos lá também", finaliza.

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